Memorial do IME-USP

“Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e levantarei o mundo”
Arquimedes

Assim é a obra de nossos professores, funcionários, alunos e ex-alunos. Cada nome homenageado neste site representa alguém que faz muita falta e é lembrado com carinho por colegas, familiares e entes queridos. O imensurável legado daqueles que marcaram a história do Instituto continua a nos inspirar todos os dias.

Jorge Manuel Sotomayor Tello

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Faleceu, no dia 7 de janeiro de 2022 no Rio de Janeiro, o matemático Jorge Manuel Sotomayor Tello (Soto). Sotomayor nasceu no Peru em 25/03/1942, foi casado com Marilda Antonia de Oliveira Sotomayor. Pai de Leonardo e Mariana. Foi aluno de Maurício Peixoto (1921-2019) e juntamente com Ivan Kupka foram os dois primeiros doutores pelo IMPA. Sua tese de doutorado ”Estabilidade Estrutural de Primeira Ordem e Variedades de Banach” foi defendida em 1964 aos 22 anos de idade. Recebeu homenagens da Universidade Nacional de San Marcos, Facultad de Ciencias – Universidad Nacional de Ingenieria – Peru, da Ordem Nacional do Mérito Científico em grau de Grã-Cruz e foi membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Também foi bolsista da Fundação Guggenheim. No Brasil, sua atividade profissional foi ligada ao IMPA até 1992 e a USP (1992 até sua aposentadoria) e foi professor visitante na UNIFEI (Itajubá, MG) por dois anos. Era Pesquisador Sênior do CNPq e anteriormente pesquisador 1A. Orientou 12 dissertações de mestrado e 22 teses de doutorado. Publicou mais de cem artigos científicos em várias áreas, escreveu livros, ensaios, contos etc. Juntamente com Carlos Gutierrez (1944-2008) introduziu o conceito de estabilidade estrutural e inaugurou a teoria qualitativa das equações diferenciais da geometria diferencial, publicando em 1982 dois trabalhos pioneiros sobre o comportamento qualitativo das linhas de curvatura em superfícies imersas no espaço Euclidiano tridimensional. Uma geração de matemáticos aprendeu EDO’s no seu livro inspirador Lições de Equações Diferenciais Ordinárias. Texto do Prof. Ronaldo Alves Garcia, do IME/UFG.






Grande pesquisador, exímio didata, sempre disposto a conversar sobre matemática e a colaborar com os colegas, o MAP, o IME-USP e a comunidade Matemática Brasileira. Deixa saudades para todos que com ele conviveram.

Julio Michael Stern
USP - Instituto de Matemática e Estatística

Deus conceda o conforto a todos os familiares!

jailson calado
UFMA

Força aos que ficaram, viveram em companhia de alguém excepcional.

Eduardo do Nascimento Marcos
IME-USP

Fiz EDO com o Soto no primeiro semestre do mestrado. Cheguei sem saber absolutamente nada sobre EDO e saí amando EDO. Virei fã declarado do Soto! Ainda hoje eu carrego comigo uma certa forma de pensar em matemática, muito puxada para a intuição, que aprendi com ele. Professor fenomenal cujo impacto vai muito além da sua área de pesquisa e até além da matemática. Só tenho a agradecer!

Leonardo M. Mito
IME-USP

Foi com profunda tristeza que recebi a notícia do falecimento do meu antecessor. Jamais esquecerei a cordialidade com que Jorge Sotomayor me recebeu no IME. Também não esquecerei de sua última palestra no IME, na minha memória ele sempre viverá. Gostaria de expressar minhas condolências à família.

Christian Jäkel
MAP IME USP

Puxa, mais uma pessoa querida que se vai nesse ano interminavel, que ja conta com mais de 700 dias... Sempre vou me lembrar do Professor Sotomayor com muito carinho. Foi nas suas aulas que eu primeiro aprendi a ter independencia, a ler os papers que ele indicava, tirando duvidas na aula seguinte. Nelas tambem conheci um lado muito divertido, menino mesmo, do grande matematico que ele foi. Me lembro como se fosse hoje, de bater na sua porta, dizendo que precisava de uma ajuda. Invariavelmente, sua resposta era: "Quanto, Zanata?" Desejo muita forca pra sua mulher e filhos nesse que eh dos mais dificeis momentos da vida. Salvador

SalvadorZanata
IME

O Soto foi meu professor em Teoria das Bifurcações, no antigo IMPA, da Rua Luis De Camões. Suas aulas eram muito boas. E era uma pessoa gentil. Foi bom té-lo conhecido!

jorge beloqui
IME-USP

O Soto foi meu orientador durante o mestrado. Um grande matemático com um enorme legado na pesquisa e na formação de novas gerações de matemáticos (seu livro de EDOs é um clássico!). Mas o mais importante pra mim foi ter tido a oportunidade de conviver com uma pessoa apaixonada pela matemática e ao mesmo tempo descontraída e brincalhona. A sua pergunta clássica durante seminários (“E o caso não compacto?”) em geral deixava quem estava apresentando desconcertado. Uma enorme perda!

Bruno Jacóia
IME-USP

Conheci o Soto em janeiro de 1968, na Divisão de Matemática Aplicada da Brown University onde estávamos como convidados, o Soto do impa e eu da Escola Politécnica da USP. Ambos estávamos conhecendo, pela primeira vez o Prof. Jack Hale que veio a ter enorme inflauencia no IME e no Instituto de Matemática de São Carlos. Ali começou minha amizade com o Soto; ficamos hospedados na parte superior do consultório de uma simpática médica hosteopata , Dra. Faith Sweet. Durante dois meses estivemos juntos e conosco estavam tambem Jacob Palis e Mauricio Peixoto. Nesse movimento abrasileirado Soto continuava suas pesquisas de pos-doutorado e eu engatinhava nas equações com retardamento em variedades compactas. Nascia assim uma proficua amizade e por volta de 1992, Soto prestou e venceu o concurso de cátedra no IME, qundo então vimos o MAP crescer sobremaneira. Quando decidi viajar para a Europa obtive do Soto um apoio inesquecivel já que ele se dispôs a cuidar dos alunos de mestrado e dourorado que estavam , naquela altura, sob minha orientação. Continuamos sempre juntos nas reuniões IST-IME e o MAP , com a ajuda do Soto, tornou-se um excelente centro de pesquisas na area de sitemas dinâmicos. Soto trouxe consigo sua esposa Marilda que pontificou na FEA como professora titular dessa importante escola da USP tendo inclusive trazido a São Paulo vários prêmios Nobel durante sua atuação como docente daquela Instituição. A aposentadoria do Soto em São Paulo não impedia que ele continuasse atuando junto ao MAP onde deixou inúmeros alunos e amigos. Seu legado no ensino e na pesquisa na USP jamais será esquecido. Waldyr Muniz Oliva.-

Waldyr Muniz Oliva
IST e USP

Muito triste este momento mesmo, alguém tão vivaz partir tão cedo, prestes a completar 80 anos. Eu não conhecia bem o Soto quando estive no IMPA, pois ele estava fazendo as malas para São Paulo justamente no meu primeiro ano por lá. Mas, quando finalmente me fixei no IME, fui muito bem recepcionado por ele. Não só isso, fui muito bem recepcionado por ele em tudo o que eu fiz depois, mesmo que não fosse pesquisa em sistemas dinâmicos. Porque ele estava sempre ligado em coisas diferentes, sempre conectando com seus interesses de pesquisa mas ao mesmo tempo buscando formas de divugar aquilo que fazia. Ele gostava do que fazíamos na Matemateca e estava sempre disposto a ajudar, até fazendo doações de peças e protótipos, e, ao mesmo tempo, nos estimulava para que surgissem as condições para que ele também pudesse ter seus "brinquedinhos", ilustrando desde a teoria da catástrofe até as linhas assintóticas e de curvatura de superfícies, à maneira dos franceses do final do século XVIII. E tudo isso também transbordava da matemática: assim como outros colegas, tive a oportunidade e, de fato, o enorme prazer de ajudá-lo a revisar suas traduções de 'A Serpente de Ouro', novela do escritor peruano Ciro Alegria, e dos três ensaios biográficos de H. Poincaré coletados no livro 'Um poeta, um matemático e um físico'. O que apenas corrobora o que eu falei: o Soto estava sempre atento às pessoas, buscando formas de ajudar e ser ajudado, mesmo que fora do escopo das atribuições canônicas de um professor e pesquisador de matemática. Sem dúvida, uma pessoa incrível. Um grande abraço para você, Soto, e meus sentimentos à família.

Eduardo Colli
IME-USP

Receber a notícia da morte do professor Sotomayor foi tão absurdo que acho que a ficha nunca vai cair. O professor Soto foi meu orientador de mestrado e doutorado, e apesar da pieguice não posso deixar de dizer o quanto ele foi e é importante para mim. Dentre as muitas lembranças que levo, registro aqui uma das frases inspiradas dele: "A Matemática não é uma ciência contemplativa". Eu a repito muito para os meus alunos, e sempre fecho a primeira aula do semestre com ela. Meus sentimentos aos familiares, amigos e alunos.

Ana Lúcia Fernandes Machado
IME USP




Curadoria:
Cristiane da Silva Costa
Rose Mary Fatima Parris